o acaso

peguei a olympus pen de diogo emprestada e bati dois rolos. levei pra revelar e deixei por mais de uma semana, esqueci. quando busquei, estranhei o grão e as cores. levei o cromo pro trabalho e scaneei por lá, mas as cores batiam.

o saldo disso é que revelei os fotogramas completos. e, pra quem sabe, a pen duplica as fotos, isto é, num fotograma cabem duas ‘poses’. então o que deveria ser para economizar filme, acaba sendo a graça dessa câmera: achar coincidências em pares aleatórios.

para ver mais fotos, flickr.

renatxmas

talvez não seja por ter natal no nome, mas por ter um ego gigante que eu me adicionei no cartão de natal que vou mandar pra galera. o que não anula os votos, né? tá fofinho, tá valendo, e que 2011 seja varrido do mapa já!

fotonostalgia

por mais que eu tenha tentado, foto nunca foi o meu negócio. é que eu não tenho a paciência necessária de ficar 5 min agachada, setando 3 variáveis (no mínimo), principalmente quando envolve outra pessoa (que eu sempre acho que estou incomodando demais). foi por não saber fotografar direito, que eu me identifiquei com essa parada de lomo – em que o que importava era nada importar. mas aí as pessoas passaram a questionar tudo e a fazer foto boa de verdade com a coisa e eu fui deslegitimizada de novo, rs.

aí eu me divirto com o processo, que, pra mim, é uma caixa preta. literalmente um tiro no escuro e se saiu uma foto boa, foi sorte, é lucro.

muitas saem ruins. a maioria sai uma coisa completamente banal, mas que o ruído da câmera, do filme, da digitalização e dos meus erros dá alguma autenticidade. nessa perspectiva, não sei se isso é diferente do instagram. acho, contudo, que se as fotos que tiro no iphone demorassem alguns meses para serem reveladas a mim, elas teriam mais valor que uma brincadeira controlada-descontrolada: o reconhecimento de um momento passado apresentado de uma forma que eu lembrava, mas não conhecia.

essa conversa toda foi motivada pela vontade de comentar essa colagem de fotos que achei no computador, feita para um concurso por volta de 2007. a cor das fotos não foi editada, catei pedaços de fotos que eu tinha no computador para formar um espectro. originalmente quadrada, refleti para poder usar de fundo de tela, mas ficou confuso demais. daí pensei que alguém pudesse querer (é só baixar que a resolução tá permitindo usar de papel de parede).

rasgação de seda acidental

a embalagem do sonho de valsa é tão bonita que é um sacrilégio jogar fora. amarrando-a, apenas, pensei em fazer de acessório, broche talvez. mas como tenho uma base de anel, enfiei por dentro do meu nó e virou um anel lindo, que mostro abaixo.

achei tão legal que quis mostrar, mas sem me mostrar. pensei em usar um livro e, estando esse conversas com paul rand por perto, escolhi por causa dos tons. perfeito. mas o livro é tão legal, né? não terminei de ler ainda, mas sinto que qualquer parte dele poderia ser um bom cenário pra mostrar as vistas do anel… um projeto típico de elaine ramos – a responsável pela maioria dos livros lindos da cosac naify –, que nesse caso usou apenas pantone rosa e verde no miolo, abusando de chapadões alternados das duas cores.

daí falar de elaine ramos me lembra que eu também queria comentar o projeto do cd de zé miguel wisnik, que fucei nesse fim de semana e achei genial. ela acertou muito neste projeto, que tem dois volumes, um em kraft e outro em turquesa com acabamento brilhoso. como estava desmontado quando peguei, foi tipo um estalo sacar que os dois eram partes do mesmo cd, unidos por um ímã. indivisível, o nome do disco.

imagem retirada do blog do ronaldo evangelista no site da uol

o encarte dentro da caixa azul é em kraft e vice-versa. e só descobri por dentro que as ‘bandeirinhas’ nos grafismos da capa são as iniciais do músico. gênia.

gosto dos trabalhos de elaine porque estão cheios de referências atuais mas com um feeling bem dela, sem cair numa repetição de modismos como o que se vê demais pela internet (e que é assunto para outro post).

fenearte 2011

eis o último projeto especial do qual participei durante a minha estadia no jc, que foi publicado de 28 de junho a 01 de julho. mostro hoje, enquanto ainda há tempo de experimentar o último dia da fenearte.

o tema deste ano da fenearte foi literatura de cordel e a minha chefe estava com medo de confundir/limitar o tema à xilogravura – o que seria muito natural. afinal, o cordel é um das únicos tipos (?!) de literatura que têm uma linguagem gráfica própria e muito peculiar. o que se entende como xilogravura geralmente não tem muito a ver com o significado da palavra (que denota um método de impressão), mas com um certo estilo/tema de ilustração (personagens simplificados; paisagens, animais e objetos característicos da vida rural nordestina; pouco uso de perspectiva; marcas da gravação na madeira). cabe também saber, por exemplo, que há xilogravuras com características menos naif do que aquelas que estão no estereotipado imaginário popular, como as lindas de oswaldo goeldi.
fugindo então de uma possível armadilha, decidimos usar alguns versos, mas sem fugir da linguagem gráfica que remete aos (d)efeitos da técnica “utilizada” (mimetizada no illustrator). o resultado foi uma proposta não muito usual no jc – capas tipográficas.

por dentro usamos as famílias tipográficas e as relações estabelecidas no projeto do jornal. escrevo na primeira pessoa do plural porque minha escudeira gabi araujo participou do projeto.

diversidade

eu queria um gancho pra resgatar essa capa de, sei lá, outubro.

daí que há uns 15 dias a minha chefe recebeu, motivada por esta capa e pelo fato de ela ser uma colunista sobre marketing, o jogo promocional do nebacetin,  que trabalha com um conceito parecido com o que trabalhei na minha capa.

etiqueta

na minha família tem dessas coisas que rodam entre os entes, pra nos encontros todos ficarem intrigados dizendo “epa que essa blusinha eu conheço”.

uma dessas lendárias peças é um short de paetês preto, que estava desaparecido mas que por acaso saltou nas minhas coisas por esses dias. não vou discorrer sobre as propriedades deste ícone da moda, assumindo que o caro leitor não é adepto aos sacrilégios.

mas teve algo mais, neste short, que ganhou meu coração: uma etiqueta que pode ser chamada sem medo de DIVA.

não é o letreiro em gótica vermelha, nem a apóstrofe lembrando que você é quem pertence ao brilho. não são as listrinhas diagonais verdes no fundo. nem tampouco as flores mistas e coloridas impressas em policromia. não é esse desfiado, nem esse manchado que parece um flash…

é conseguir ler nos sinais materiais as nuances do ontem e do hoje, mesmo sendo tudo parte de uma mesma época indefinida. resumindo: se sentir ciente do seu papel de personagem da História.

células velhas

falando sobre um antigo trabalho como uma ideia para um novo, fui procurá-lo neste blog e cadê?

fui catar meus suplementos antigos, mas não achei o que continha essa ilustração. pela última data de modificação do arquivo pelos meus cálculos, ela foi publicada em abril do ano passado. então perdoem o delay de um ano.

vou tentar nestes dias resgatas alguns trabalhos de um ano pra cá, pra desmentir os boatos de que há uma idade média instaurada neste blog.