
foto tirada do flickr do centro de design do recife
a rapeize na oficina expressão em cartaz, ministrada por rico lins, no começo de agosto. foi fera!
o intuito não era aprender a fazer cartaz (dã), era discutir sobre o tema com o mestre do cartaz no brasil. logo de cara ele deu duas limitações: de tema– sorteados entre pânico, território, mobilidade, tempo ou crise– e de técnica – o cartaz deveria ser todo feito manualmente. eu fiquei com território e escolhi falar de geopolítica usando uma metáfora com o boi, que também tem suas partes de valor. rico gostou da idéia e sugeriu que eu tratasse de temas mais pessoais, trazer essas divisões pro âmbito do sentimento.

cartaz em produção
o que eu fiz? peguei uma imagem de anatomia muscular do boi na internet, dei um alto contraste e imprimi numas 4 folhas de a4. a imagem era massa e caso nada desse certo, só pintar o boi de colorido já tava valendo, dava um peso danado. mas eu tava com uma idéia inspirada no trabalho de suzane treister, que eu tinha conhecido dias antes e ainda tava na cabeça. faltava só o texto, que eu encontrei esperando diogo tomar banho. o livro pedras pensadas, de adolfo montejo navas era lindo e caiu como uma luva para o que eu queria: falar de sentimento, escrevendo num boi, sobre territórios geopolíticos!

daí quis nem saber, o cartaz ficou preto no branco mesmo. nelito, da continente, me ajudou a escanear o papel vegetal onde eu tinha decalcado vários versos do livro sobre as fibras musculares do boi. e o meu intuito era o boi bem simples pra eu poder aloprar na gráfica, usando todos os recursos de produção gráfica que nos tinham prometido. e aloprei, fizemos variações e combinações:
impressão em papel offset,
impressão em papel kraft,
impressão do boi em preto,
impressão de dois bois pretos em 69,
impressão de um boi preto e um boi vermelho em 69,
impressão em amarelo de uma chapa do livro de virgulino,
impressão de um sol de hotstamping na barriga, na cabeça, nas tetas,
corte com a faca de corte de aspa que damião usou no cartaz dele,
impressão de uma moldura florida de verniz (eu queria muito uma versão desse cartaz do verniz, mas perdeu-se)

ps: eu (dir) não sou feia assim, foi a câmera peba de damião (esq)
os cartazes produzidos na oficina foram expostos numa pequena exposição centro de design do recife, que acho que ainda tá por lá (fica no pátio de são pedro). a gente teve de dar um nome à obra, e eu chamei o meu de boi vaca, porque ao colocar o hotstamping nas tetas percebi que o que eu tinha chamado – e ainda chamo – de boi o tempo inteiro, era uma vaca. o legal é que cópias dos cartazes impressos em offset estão sendo distribuídos na exposição! agora só falta ser impresso o catálogo documentando tudo que aconteceu na oficina e quando ele sair, coloco por aqui.