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a oficina de rafael cardoso sobre paisagem gráfica tomou um caminho que eu não esperava. ele discutiu bastante com a gente principalmente sobre pichação/grafite e o direito que todos têm de ter seu espaço na mancha gráfica urbana.

"pichação artística" (?!) em muro português
e eu que, como muitos, me incomodo com pichações marcando a cidade, engoli a língua, não tinha argumentos que não parecessem conservadores. iria dizer o que: a cidade ficaria mais bonita? (e bonita significa estéril, fake, controlada?) para mim faz todo sentido que pichação seja o “bode espiatório” dos muitos descasos com a cidade. e essas distinções de pichação e grafitti só servem pra excluir mais. porque eu e “o grupo universitário e artista” da oficina pichamos gelos baianos em frente ao armazém 12 com a guarda municipal vendo sem falar nada.
bom, o debate é profundo e eu não quero falar sobre isso, especificamente. queria dizer que eu, que nunca fui fã da estética não chapada do spray, passei a admitir nele possibilidades interessantes. um dos trabalhos que contribuiu para isso foi este de weno e mawá (link para o vídeo de making of no flickr dela):

stencil

processo

resultado
fiquei encantada como eles foram destemidos para criar uma solução simples pra aplicação de um padrão. para mim executar estampa era coisa de máquina e de registros milimétricos para lá, nada a ver com humanos criativos. e o spray foi o arremate, o manchado dá o perfeito tom de paródia ao trabalho.
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a ilustração que eu fiz pra revista continente de outubro foi um verdadeiro desafio de direção de arte. era pra um artigo relacionando obras de terror com o conceito freudiano de unheimlich, que pode ser mais ou menos traduzido como inquietante estranheza.
se verbalmente já é difícil traduzir esta palavra alemã, imagina graficamente. fiquei meio presa à imagem de alguém se olhando no espelho e, durante uma semana, fiz várias alternativas com técnicas diferentes. mas tudo me parecia pueril, infantil, desenhado demais.

ilustração nada a ver com o tema, mas só pra demonstrar meu estilo pueril
eu queria algo com uma complexidade fotográfica e nada figurativo. foi quando tive a idéia de usar a técnica que usei, me scannear em movimento. o que me surpreendeu foi o quanto ela e seu partido formal traduziam perfeitamente o conceito, fazendo a imagem depender menos do que se lia, mas mais do que se sentia (ou, de alguma forma, lia nas entrelinhas). mais ou menos como sentir leveza numa aquarela e dinâmica em quadros do lichtenstein.

sei que é tudo meio óbvio o que eu estou dizendo, mas é só pra explicar que a imagem falou por si, não tive mais grandes trabalhos com ela depois.
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esse é o nome do time de futebol das meninas do oitavo período de direito (acho), e cujo brasão chegou a mim pela minha querida amiga manu. ele foi heroicamente feito no paint por uma de suas amigas e manu comentou rindo que elas até queriam um rosa mais forte, mas não tinham conseguido. sinceramente, ficam meus parabéns à jogadora, estudante e designer que fez este trabalho, porque eu mesma não teria conseguido fazer igual.

com as restrições de manter a balança e o rosa e o deadline de quem vai jogar nessa sexta, não quis repensar o brasão. só fiz dar um ar mais illustrator à coisa, despixelar a balança, colocar uma piada e a cor que elas queriam. além de pensar num projeto duas cores que permitisse fazer a camisa em silk.

aí em baixo é a versão é do brasão se eu tivesse feito no paint. fiz para mostrar que as ferramentas são essenciais ao trabalho de um designer e que ser técnico, saber colocar a mão na massa, é tão importante quanto ter boas idéias.

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recebi este saquinho hoje contendo três bombons mastigáveis, dois negobons, 1 pipoca e 2 pirulitos do coração e ele me fez pensar em tanta coisa que não pude deixar de comentar aqui:
. cosme e damião são santos legais, né?
. que idéia massa a de pagar promessa dando doces.
. adoro o formato tradicional do cosmedamião (bem diferente desse que recebi): vários bombons, chicletes daqueles mini-durinho-bemdoce-com-anel, várias pipocas soltas misturadas com bolinhas de amendoim e aqueles pirulitos com a cabeça pequenininha. tudo isso sempre num saco exatamente igual a esse, isto é, cosme damião é “um santo” com identidade visual.
. que legal sacos impressos em duas cores. será que algum dia isso já foi feito em lito?
. que registro estranho… pela marca de registro, que tá disfarçada de estrelinha, as cores não estão casando, mas este arco verde em torno do santo parece bem posicionado…
. sou fascinada com a idéia de em reading ter um centro de efêmera – que é um acervo de impressos de “duração passageira”, como bilhetes, folders, cartazes – imagina ter um centro desses aqui com essas expressões lo-fi populares?
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eu fico triste com as previsões do futuro: recife submerso, crianças desaprendendo a escrever manualmente e livros apenas em kindles ou como produtos para bibliófilos. mas ainda assim, não é igualmente perturbador a cosac naify imprimir livros na china?
embora não seja a maior leitora do mundo, se tem algo que eu gosto é a estrutura de brochura. para mim, compilar, dobrar e grampear deixa (quase) qualquer coisa no mundo interessante. isso porque dá expectativa, ritmo, volume, enfim, uma percepção bem peculiar aos livros. outra coisa que conquista é essa coisa da produção artesanal, da costura um a um, do registro contra a vontade das impressoras xerox ou a jato de tinta, das capinhas carimbadas em papéis coloridos.
por isso achei um achado essa coisa que achei no google: uma loja de FINE PRESS. vários projetinhos impressos das maneiras mais legais e mistas e coloridas do mundo (litografia, serigrafia, xilogravura, etching, etc). é como zines de artistas, com preços pra estagiários de colecionadores de arte.

alice austin

susan hapersett

theodora press
é só clicar nas imagens para ir para a página desses artistas e coletivos, mas fora estas, há milhares de outras. agora, é só folhear.
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e eu no outro tópico falando sobre a byu (brigham young university), fui procurar onde ela era e parei numa página doida onde só vi a foto de michael (steven carell) pra depois reparar em dwight e bernard do lado deles. obviamente era algo sobre the office.
trata-se de um artigo sobre o estudo do professor kerry soper, que estuda a comédia e a sátira na cultura americana. ele posiciona os personagens principais (e alguns nem tanto, como darryl) de acordo com arquétipos, esses esqueletos de personagens que se diz estarem presentes na maioria das histórias, fórmulas que funcionam.
me interessei. queria comparar minhas observações com as do professor porque, assim como ele, eu “methodically watched every single episode and took elaborate notes”.
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olha, esse foi o meu discurso de hoje – por ser a terceira vez que comento isso hoje – e é meu discurso de sempre: a europa tá pouco se lixando pro mundo, o que eles querem é manter o seu padrão de vida às custas da miséria alheia e que nós, terceiromundistas, fiquemos na da gente. isto é, visitá-los e gastar, quando tivermos grana, mas voltarmos pra origem quando a grana acabar, pra não roubar emprego de ninguém, né.

baseado na filhadaputice imperialista – falei da europa porque pra mim é o reino da hipocrisia – jota castro, europeu por sinal, fez uma série de fotos em que símbolos fálicos de alguns países aparecem penetrando um ânus. grosseria para alguns, o artista teve a intenção de representar a imposição de algumas culturas sobre as outras e acho que encontrou uma boa metáfora do tema.
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dizem que a sua lista de contatos é um dos bens mais preciosos que você constrói em sua vida. acredito médio nisso, por isso mantenho vivo meu orkut. além desta finalidade, a troca fácil de mensagens e a troca de informações em comunidades me interessam. mas ao contrário de outros, não acho que participar do orkut é essencial.
contanto que muitos não tenham estas mesmas idéias minhas, encontrar alguém é fácil se eu pedir pra alguém que tem orkut fazer isto pra mim, ou criar um orkut de emergência. o mesmo pode ser aplicado a informações, as quais também são encontradas em foruns. e mensagens são bem mais ágeis e precisas se mandadas por email ou msn.
o negócio é que no orkut você – e eu estou nessa – cria um personagem bem lindo: as melhores fotos, informações colhidas a dedos, comunidades interessantes. as pessoas “se soltam” e te elogiam e dizem que te amam. enfim, todos os walking clichês do mundo reunidos no maracanã dos clichês. é por isso que eu me irrito e tento ser o mais objetiva possível, porque chega uma hora que dá vontade é de ficar fazendo piada ácida na cara dura. mas claro que, devagar, com a dose…
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