
acordei com uma pedra na janela.
seis horas.
quem já comprou o pão
está em casa.
quem ainda não comprou
se apressa nas filas,
a cédula abafa o tilitar
das moedas no bolso.
sete horas.
pão no saco, na mesa ou
na barriga,
a bermuda de sair
guarda o troco de hoje,
que amanhã não hesitará
em avisar aos vizinhos
que são horas
Categorias: metida a literata
esta semana e a outra foram de despedidas.
terça passada dei xau ao meu aparelho fixo de contenção – que ficava por trás dos dentes posteriores inferiores - e também a dr. luciano. gente fina esse carioca e sua secretária que cuidaram maravilhosamente dos meus dentes por 7 anos. chuif.
ontem foi a vez do estúdio zero, onde estagiei por 6 meses. foi bem duro porque me apeguei à galera, ao cheiro de boldo da sala, à labradora, às possibilidades – mesmo remotas – de colocar muitas idéias pessoais em prática… (na verdade ainda tô na nostalgia pós-estágio)
o problema é que não achei a fórmula certa de dar tchau, uma frase só minha que eu direi para qualquer pessoa, com pequenas variações. devido ao carater derradeiro das despedidas, tem de ser conciso, direto, emotivo à medida, ter efeito e conter um pouco de esperança, pra mostrar que você gostou da pessoa.
“a gente se encontra nas quebradas da vida” me agrada, mas é só 90% meu estilo. estou fazendo umas alternativas com as palavras bueiros, ruas, botecos no lugar de quebradas mas ainda não cheguei ao tom.
enquanto isso, continuo na tática das promessas falsas, que sei que nunca cumprirei, mas não por falta de vontade. de tempo, talvez, mas isso no fundo é falta de vontade, logo é uma promessa falsa. no fim das contas todo mundo quer acreditar que tudo é definitivo.
[final etéreo]
Categorias: metida a literata · resmungos
é conhecido da galera que eu não sou chegada em sangue, essas paradas. evito tarantino e algumas outras coisas, porque me matam de agonia. sangue em mim também não rola, toda vez a minha vista escurece. daí quando vou tirar sangue, né, é aquela pressão.
hoje fui com mãe e vó, todas tirar sangue. eu, pela ordem natural dos fatos, a última. isto é, demorou demais, passou do ponto do medo.
estiquei o braço direito e esse foi meu mal. eu fui preparada pra tirar do braço esquerdo! repassei mil vezes a sequência com eu dando a mão direita à minha mãe. daê, né, todo mundo sabe o resto: eu de mal jeito agarrada à cintura de mainha, não doeu, mas a respiração fraquejou, escureceu tudo, não passava, a moça, simpática, me disse pra ir pra uma cadeira melhor e eu achava que não dava, mas quem era eu senão um caco sem luz, daí no caminho não dava, senti uma pessoa me carregando, tava ruim de respirar e a cabeça não tava voltando, tudo formigando, senti me sentando numa cadeira, pedindo pra pegar banquinho e colocar os pés, perguntando se eu tomava café, tomei e não passava, eu não voltando e com medo de ir de vez e só sentir o desfibrilador no peito. mas foi passando e eu disse que tava ok e realmente tava ok e fui embora com elas, mainha agoniada doida exagerada do susto.
pior vez ever de tiração de sangue, não tinha chegado a cair, ainda. nem tava com medo também, não sei o que aconteceu. ah, sei, foi o braço direito.
Categorias: fail-renata · metida a literata · resmungos
(couldnt help essa vontade imensa de escrever hoje)
falar sobre uma menina que tem, que existe. que é delicada do cabelo ao nervo. tem traços finos e expressões blasé. que é linda: de costas, de cima pra baixo, sem olhos. se veste pro frio todo dia e usa a minha fantasia tropical de vestir cachecol. feita à mão.
mas, interessante e previsível - ela não tem nome. nenhum registro de quem ela é, fora o estupendo ícone estético que traz estampado na cara.
Categorias: humilde opinião · metida a literata
sobre a oficina de jum nakao eu escrevi um bocado de coisas, mas apaguei todas.
no fim provei pra mim que design não é arte por vir embalado num argumento pra justificar por que não veio embalado em sangue.
Categorias: arts & design · metida a literata
sempre vi as pessoas pedindo as coisas em nome de um tal de Obséquio e eram prontamente atendidas. ficava matutando quem poderia ser tal pessoa, até que com os conhecimentos que a vida me deram, cheguei a uma conclusão. e só pode ser assim.
Obséquio é um funcionário público em desuso. é um senhor velho com um nome cafona, que trabalha no almoxarifado de demandas. e como há outras pessoas nesse mesmo departamento e ninguém pede intercedendo em seu nome, supus ser esse tal de seu Obséquio um homem, embora velho, grande, largo e carrancudo.
o que faz então as pessoas cederem ao ouvir o nome desse cara são dois motivos diferentes: um é medo e outro é respeito. seu Obséquio é o mais senil representante da Gentileza, uma lei estabelecida há milênios e que funciona em qualquer lugar do mundo. a Gentileza, por sua vez, como todas as leis, tem seu lado funcional e seu lado opressor. e também por isso pedir por Obséquio não significa conseguir, já que há quem ignora as leis, mesmo que por um dia.
hoje em dia seu Obséquio está sendo cada vez menos socilitado. na verdade a sua moral anda em baixa, por estar o funcionarismo público démodé (sic). todos preferem essas novas formas de pagamento ao velho papel moeda do Obséquio, até porque na maioria das vezes tudo o que se faz é na espera de um retorno.
no fim das contas eu só espero que seu Obséquio não morra, talvez só pelo saudosismo de saber que ele está presente tanto pra reis quanto pra alguém como eu, que desvendou seu segredo.
Categorias: metida a literata
andei inchada. mal comi e minha pele estava caótica. meu humor que o diga, andou inchado também. eu que estava pronta para o bote. mas que ao racionalizar em 5s de lucidez, chorava, incapaz.
esse estado durou mais de um, de dois dias. sofri e fiz sofrer. a minha média de voz foi o grito e a média de estado de espera era a impaciência.
a partir de hoje a tendência é melhorar. assumirei de novo as formas humanas.
lobiswoman.
Categorias: metida a literata